Dia de sol, num dia de chuva!

Quando eu e minha filha Amanda saímos do Metrô em direção ao ponto, logo chegou o nosso ônibus. Mas como não haviam pessoas no ponto, o motorista preparou-se para ligar o motor. Eu ainda na saída do Metrô, pedi a Amanda que corresse e dissesse que havia uma cadeirante. Ele colocou a cabeça para fora do veículo e me disse:
– aguarde só uns minutinhos que vem um com elevador, logo atrás.
Bom, o ônibus estava vazio e ele precisaria carregar minha cadeira junto com outro, achei que não faria mal esperar outro. Sabe a cabine da empresa de ônibus, que fica sempre ao lado da saída do Metrô? Veio de lá de dentro um funcionário, caminhando rápido em minha direção, no mesmo momento o ônibus preparava-se para sair. O funcionário me olhou indignado e dissse:
– Vai nesse! Está chovendo, por que voce não vai nesse – expliquei-lhe o que o motorista me sugeriu. O funcionário olhava para dentro do ônibus com cara de indignado, voltou correndo para a cabine e saiu junto com outro. Antes de chegarem perto, o ônibus saiu. Notei que comentaram algo e os dois, com cara nada amigável. Então o homem que veio com o funcionário me disse:
– É rapidinho, não vai demorar e chegará outro ônibus. Voce pode esperar sob a marquise do Metrô, para não se molhar se começar a chuva novamente. Notei que eles não se agradaram com a atitude do companheiro, que arrancou e não me levou.
Foram extremamente gentís! Como os funcionários do Metrô – estes estão muito bem treinados!
Senti que realmente as coisas estão mudando – mesmo!
O próximo ônibus chegou, o motorista extremamente gentil, subiu minha cadeira pelo elevador. Sorridente, perguntou-me antecipadamente onde eu desceria ( eles fazem isso ultimamente- sempre foi assim?), perguntou-me se eu estava confortável e saiu para dar a partida.
Pra mim foi um dia de sol, mesmo que nublado e chovendo.
Estou gostando muito de sair de casa, claro que existem muitos problemas ainda por aí, para nós os deficientes. As calçadas por exemplo, a acessibilidade às lojas, o … a … há muito pelo que lutar ainda!

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…tenho esta história:

Como eu disse antes, estou sobrecarregada de atividades na faculdade. Precisava de uma história que tivesse um bom argumento para um filme…

…tenho esta história:

Toda à tarde quando eu voltava da escola, lá estava ele, o mendigo. Sentado, escrevendo algo num pedaço de papel, rodeado por uns seis cachorros. Todos os cães deitados aos seus pés, quietinhos, como se respeitassem aquele momento do seu dono. A praça por onde eu passava no caminho da escola, parecia ser o pano de fundo ideal para aquele quadro: um mendigo vestido de terno preto com camisa branca – encardida – um chapéu Panamá velho na cabeça e uns três livros com capas antigas debaixo do braço. Todos os dias, menos nos de chuva, lá estava ele a escrever. Olhava para cima, como quem pensasse nas frases, depois voltava ao papel e acrescentava-lhe algo. Num certo dia, passei diante dele comendo bolachas, nossos olhares se cruzaram e então lhe ofereci algumas. Para minha surpresa ele aceitou. Parei diante dele e estendi-lhe o pacote, ele apanhou uma bolacha. Sem ter o que dizer, perguntei que livros eram aqueles. Respondeu-me então, que eram livros de filosofia e português e um dicionário. Contou-me que era professor de português, mas estava afastado do ensino há muitos anos. Eu não queria entrar em detalhes, mas não me contive em perguntar o porquê. Foi aí que ele contou-me que perdera a família num acidente de automóvel, esposa e três filhos. Entrou em depressão, não sentindo vontade de mais nada na vida. Perguntei-lhe o que escrevia naqueles papéis todos os dias. Ele retirou do bolso um deles e começou a ler para mim. Eram poesias! Belas combinações de palavras formando frases. Pelo português corretíssimo, não pude duvidar de sua história. Contou-me também, alguns episódios de quando era professor. Fiquei perplexa, não conseguia perguntar mais nada, despedi-me e voltei para casa. Fiquei dias pensando em como alguém com tanto conhecimento, pode se desligar do mundo assim? Desistir de tudo?

Acredito neste, como um bom argumento para um filme!

Na Bienal do Livro teve adaptação adequada!

Eu havia me esquecido de mostrar algumas coisas sobre a Bienal, o banheiro foi uma delas. Tenho uma foto do lavatório do banheiro – bem adaptadinho. Os estandes todos possuíam rampas. E eu adorei a cozinha do “Cozinhando com Palavras!”

…mas não pensem que penso estar tudo certinho ainda! Precisamos de respeito no transporte! Todos os deficientes devem ser tratados como cidadãos – e tratados igualmente ( no que se refere a distinção social!)!

Fui à Bienal do Livro!

Eu estive atenta a tudo!

…vejam outros cadeirantes nas próximas fotos. Havia muito mais que não cliquei!






Desculpem tanto tempo sem postar! Estou enrolada com trabalhos de escola – preciso me especializar e tenho que dar duro!

Fui à Bienal do livro em São Paulo! No último dia, imaginem que quantidade de pessoas heim? Fui de ônibus e Metrô; na estação Tiête, havia uma Van para deficientes com transporte gratuito até o local. O trabalho foi excelente, mas apenas experiência do Anhembi. Talvez eles deixem Vans para as próximas feiras – tomara!
A feira estava ótima, gostei muito, mas deveria ter ido mais cedo para aproveitar melhor. Também, escolhi um dia péssimo – o último! Dã! Na próxima vez irei no começo. Havia muitos cadeirantes, mas apenas uma me cumprimentou. Eles fingem que não nos vê e alguns viram o rosto – voces acreditam nisso? Por que será que agem assim? É tão estranho! Se alguém souber o motivo, please, me explique!

…tenho mais coisas para falar – tanta coisa, mas também tenho trabalhos para entregar hoje, via email. Logo volto!

Abraços a todos!

Fotos: Meu celular!