Sweet granny!

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O motorista parou o ônibus para que eu descesse.  Olhando pela janela do ônibus, vi uma senhora que virava a esquina, a uns cinqüenta metros de distância de onde eu estava.  Diante da porta, em pé sobre o elevador que descia, ainda olhando a senhora, percebi que ela parou prestando atenção no barulho. Achei  que ela esperava alguém, mas logo entendi que “a coisa interessante” era a minha descida .  Desci com a ajuda do cobrador, atravessei a rua em direção à esquina onde estava a senhorinha, porque era por ali que eu precisava  ir.

Ela parada, continuava a me olhar fixamente.
Eu estava com certa pressa,  pois faria um contrato numa escola nova e tinha compromisso com horário.  A senhorinha com voz dócil,  começou a falar comigo sobre a sobrinha na cadeira de rodas – coitada!  Estava doente e ela precisava de sua ajuda.  Contou-me que lavava sua louça e limpava a casa.  Sobre os serviços que prestava à sobrinha. Fiquei ali, tentando ser gentil, mas também tentando sair logo, eu precisava estar na escola naquele momento – isso era muito importante!  Fui conversando e andando, ou “rodando”?! Finalmente fiquei diante do prédio da escola.  Despedi-me desejando-lhe tudo de bom e saúde à sobrinha.  Ela me deu muitos conselhos e quase me beijou, até que despediu-se.  Cheguei a tempo, mas em cima do horário marcado!
…e foi assim, a senhorinha de hoje!

Comprando na 25 de Março!

Acreditem!

Fui à 25 de março comprar os materiais escolares das filhas! No entanto, ela não estava superlotada, mas muito mais vazia. Foi como um passeio, até agradável!
A 25 tem facilidade para rodas, com guias rebaixadas. O problema foi para entrar na loja “Armarinhos Fernando” – um degrau de uns 30cm; corredores estreitíssimos.
O preço não é muito diferente do meu bairro,; alguns artigos valeram a pena. O mais interessante foi o “ver gente de todo o país” comprando ali. E gosto de ver minhas filhas escolhendo e comparando – estão crescendo!
… foi legal – só eu de cadeirante na loja super-hiper-mega lotada!

Não levei o celular, pra não ficar sem ele, então a foto é do Sérgio Neves.
Foto: Sérgio Neves/AE

Dia de sol, num dia de chuva!

Quando eu e minha filha Amanda saímos do Metrô em direção ao ponto, logo chegou o nosso ônibus. Mas como não haviam pessoas no ponto, o motorista preparou-se para ligar o motor. Eu ainda na saída do Metrô, pedi a Amanda que corresse e dissesse que havia uma cadeirante. Ele colocou a cabeça para fora do veículo e me disse:
– aguarde só uns minutinhos que vem um com elevador, logo atrás.
Bom, o ônibus estava vazio e ele precisaria carregar minha cadeira junto com outro, achei que não faria mal esperar outro. Sabe a cabine da empresa de ônibus, que fica sempre ao lado da saída do Metrô? Veio de lá de dentro um funcionário, caminhando rápido em minha direção, no mesmo momento o ônibus preparava-se para sair. O funcionário me olhou indignado e dissse:
– Vai nesse! Está chovendo, por que voce não vai nesse – expliquei-lhe o que o motorista me sugeriu. O funcionário olhava para dentro do ônibus com cara de indignado, voltou correndo para a cabine e saiu junto com outro. Antes de chegarem perto, o ônibus saiu. Notei que comentaram algo e os dois, com cara nada amigável. Então o homem que veio com o funcionário me disse:
– É rapidinho, não vai demorar e chegará outro ônibus. Voce pode esperar sob a marquise do Metrô, para não se molhar se começar a chuva novamente. Notei que eles não se agradaram com a atitude do companheiro, que arrancou e não me levou.
Foram extremamente gentís! Como os funcionários do Metrô – estes estão muito bem treinados!
Senti que realmente as coisas estão mudando – mesmo!
O próximo ônibus chegou, o motorista extremamente gentil, subiu minha cadeira pelo elevador. Sorridente, perguntou-me antecipadamente onde eu desceria ( eles fazem isso ultimamente- sempre foi assim?), perguntou-me se eu estava confortável e saiu para dar a partida.
Pra mim foi um dia de sol, mesmo que nublado e chovendo.
Estou gostando muito de sair de casa, claro que existem muitos problemas ainda por aí, para nós os deficientes. As calçadas por exemplo, a acessibilidade às lojas, o … a … há muito pelo que lutar ainda!