Comprando na 25 de Março!

Acreditem!

Fui à 25 de março comprar os materiais escolares das filhas! No entanto, ela não estava superlotada, mas muito mais vazia. Foi como um passeio, até agradável!
A 25 tem facilidade para rodas, com guias rebaixadas. O problema foi para entrar na loja “Armarinhos Fernando” – um degrau de uns 30cm; corredores estreitíssimos.
O preço não é muito diferente do meu bairro,; alguns artigos valeram a pena. O mais interessante foi o “ver gente de todo o país” comprando ali. E gosto de ver minhas filhas escolhendo e comparando – estão crescendo!
… foi legal – só eu de cadeirante na loja super-hiper-mega lotada!

Não levei o celular, pra não ficar sem ele, então a foto é do Sérgio Neves.
Foto: Sérgio Neves/AE

Dia de sol, num dia de chuva!

Quando eu e minha filha Amanda saímos do Metrô em direção ao ponto, logo chegou o nosso ônibus. Mas como não haviam pessoas no ponto, o motorista preparou-se para ligar o motor. Eu ainda na saída do Metrô, pedi a Amanda que corresse e dissesse que havia uma cadeirante. Ele colocou a cabeça para fora do veículo e me disse:
– aguarde só uns minutinhos que vem um com elevador, logo atrás.
Bom, o ônibus estava vazio e ele precisaria carregar minha cadeira junto com outro, achei que não faria mal esperar outro. Sabe a cabine da empresa de ônibus, que fica sempre ao lado da saída do Metrô? Veio de lá de dentro um funcionário, caminhando rápido em minha direção, no mesmo momento o ônibus preparava-se para sair. O funcionário me olhou indignado e dissse:
– Vai nesse! Está chovendo, por que voce não vai nesse – expliquei-lhe o que o motorista me sugeriu. O funcionário olhava para dentro do ônibus com cara de indignado, voltou correndo para a cabine e saiu junto com outro. Antes de chegarem perto, o ônibus saiu. Notei que comentaram algo e os dois, com cara nada amigável. Então o homem que veio com o funcionário me disse:
– É rapidinho, não vai demorar e chegará outro ônibus. Voce pode esperar sob a marquise do Metrô, para não se molhar se começar a chuva novamente. Notei que eles não se agradaram com a atitude do companheiro, que arrancou e não me levou.
Foram extremamente gentís! Como os funcionários do Metrô – estes estão muito bem treinados!
Senti que realmente as coisas estão mudando – mesmo!
O próximo ônibus chegou, o motorista extremamente gentil, subiu minha cadeira pelo elevador. Sorridente, perguntou-me antecipadamente onde eu desceria ( eles fazem isso ultimamente- sempre foi assim?), perguntou-me se eu estava confortável e saiu para dar a partida.
Pra mim foi um dia de sol, mesmo que nublado e chovendo.
Estou gostando muito de sair de casa, claro que existem muitos problemas ainda por aí, para nós os deficientes. As calçadas por exemplo, a acessibilidade às lojas, o … a … há muito pelo que lutar ainda!

Na Bienal do Livro teve adaptação adequada!

Eu havia me esquecido de mostrar algumas coisas sobre a Bienal, o banheiro foi uma delas. Tenho uma foto do lavatório do banheiro – bem adaptadinho. Os estandes todos possuíam rampas. E eu adorei a cozinha do “Cozinhando com Palavras!”

…mas não pensem que penso estar tudo certinho ainda! Precisamos de respeito no transporte! Todos os deficientes devem ser tratados como cidadãos – e tratados igualmente ( no que se refere a distinção social!)!

Eu? Sou cadeirante!…


Passeando pelas comunidades de cadeirantes do Orkut……………..”Cadeirante”!…
A primeira vez em que conheci esta palavra (cadeirante!) foi no MSN, acho que há uns quatro anos atrás. Que nome é esse, pensei! Coisa esquisita!
Ué? Não existiam cadeirantes antes? Claro que existiam! Eu era quem não prestava atenção no mundo. E o pior foi quando eu tive que dizer – sou cadeirante – foi difícil dizer esta palavra. Passei um mês ensaiando! Eu simplesmente não conseguia admitir que estava “definitivamente” cadeirante. Deficiente sim, cadeirante não. Achei a palavra feia, esquisita; parecia um rótulo que eu teria que usar. Pronto! Eu estava rotulada! Etiquetada com um nome estranho!…
Foi assim o impacto do meu início de cadeirante.
(Risos)
Agora tudo é tranqüilo, mas o novo assustou  mesmo!  Estar diferente não foi uma coisa agradável, demorei para assimilar.
Estou começando a achar que cadeirante não é uma categoria e sim uma raça.
Como existem cadeirantes em nosso “planetinha”!

…e isso é uma estatística triste!