Observação de Paisagem Sonora por uma cadeirante.

“Airbus, Boeings, Sabiás e até um galo – juro!”

(Três momentos no meu jardim!)

 

No último final de semana, coloquei o relógio para despertar 5:00h, mas acordei um pouco antes, exatamente 4h:30min. Enquanto eu me vestia e preparava um chocolate quente, para observar confortavelmente a paisagem sonora do meu quintal, gritos de uma pessoa quebravam o silêncio. Vinham da rua e juntando-se a outras vozes, percebi que eram jovens que voltavam de uma balada, talvez!?… Às 4h:45min. estava eu com minha xícara, pontualmente sentada no jardim! Começaram a descer os aviões em Cumbica – Guarulhos. Eles fazem uma rota, que passa sobre o meu bairro, alguns fazem uma curva para o sul e outros seguem direto. De minuto em minuto desce um, sendo mais barulhentos, os Boeings. Os Airbus da Tam são menos barulhentos e acendem as luzes bem antes de pousar.
Parece incrível, mas quando o relógio marcava 5:00h, um Sabiá começou a cantar solitário, acho que mora em algum ninho por perto. Todos os dias eu o escuto – será que é o mesmo Sabiá?
Enquanto os aviões dão uma trégua, ouço o arranque do primeiro ônibus, que vai para o Metrô Carandirú. O ponto fica na Avenida, paralela a minha rua, mas nesse silêncio todo dá para ouvir bem.
…e longe, não sei onde nem em que casa, ouço um galo.
Um galo em Sampa City!
De tempo em tempo, um automóvel marca sua presença na avenida, pois é ainda muito cedo no bairro. Perto das 6:00h, os sinos de uma igreja católica tocam bem longe. Muitos outros pássaros começam a cantar também, mas os cachorros da vizinhança continuam dormindo. Uma vizinha da frente, limpa a calçada com vassoura e balde. Dá para ouví-la esfregar e jogar a água – todos os dias faz igual!
Um vizinho ou outro liga o motor do carro para sair, ou levar o filho à escola.
Como é dia de coleta do lixo, um catador de papel vasculha um dos sacos de lixo da rua, dando início à sinfonia da cachorrada! Esse coral canino canta até o homem se afastar, mais de meia hora.
Ás 6h:45min., mães e crianças passam falando alto a caminho da escola, que fica na esquina da minha casa. Completando essa paisagem sonora da manhã no meu quintal, ouço uma buzina discreta. É a bicicleta do rapaz que vende pães. Mais carros e pássaros são ouvidos, mas nada incomodando, pois moro numa rua tranquila.
…voltando ao jadim às 12:30min. Agora, dois sons se misturam: os CDs dos “Embalos de Sábado à Noite” de um vizinho e a guitarra elétrica de outro. Preciso mencionar, que o vizinho da guitarra elétrica, também canta. Ele faz um Karaôque ao meio-dia! O carro de coleta de lixo passa, fazendo todos os cachorros se manifestarem. Alguns ônibus e caminhões são notados. Os amigos das minhas filhas começam a chegar, tocam a campainha e gritam pelos nomes delas. É companhia para o caminho da escola.
Ás 13:00h, tudo fica mais calmo.
…acho que muita gente almoça, volta ao trabalho ou escola, as coisas tranquilizam-se!
No jardim às 19:00h, ouço crianças voltando da escola, o barulho de suas vozes parece maior. Pessoas chegam de carro do serviço.
Todos os cachorros do planeta parecem latir!
Alguma buzina na avenida, um ou outro avião Airbus passam sobre a minha casa.
Às 19h:30min., parece que tudo se acalma, mas um barulho é constante na rua: a buzina das motos dos entregadores de Pizzas. Essas buzininhas são ouvidas até à meia-noite!
…mas a paisagem sonora se modifica!…
Dependendo do dia, os barulhos podem ser diferentes, normalmente são assim como os descrevi: quase sempre agradáveis, desagradáveis quando as músicas dos vizinhos passam dos limites. Apenas!

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3 Respostas para “Observação de Paisagem Sonora por uma cadeirante.

  1. Tânia querida, amei o seu cantinho. De verdade, e me deu uma saudade gostosa do tempo em que morava em Sampa. Morei no Jaçanã, já contei isso? Pois é… lá também, apesar de toda a barulheira havia galos… e os aviões também passavam por cima. E a gente nem se conheceu? Que mundico, né? rsrs. Obrigada pela visita ao meu espaço. E pode deixar, virei sempre visitar você. Bjnhos.

    • Na verdade eu não tenho paciência para falar de mim – sou um pouco reservada para isto. No entanto, preciso contar coisas, porque existem cadeirantes que querem ouvir, precisam de ânimo, de sentirem que existem outros em igual situação. Precisam ouvir que sair e viver é mais fácil do que imaginam.

      Beijo!

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